domingo, 5 de abril de 2009

Mundo pequeno...


Que São Paulo é uma cidade cheia de restôs pra lá de bons, escondidos, aparecidos, de gastronomia de tudo que é lugar do planeta, eu já havia percebido. Mas Santo Amaro? Meu imenso bairro tem me surpreendido dia após dia. Recebi um convite pra conhecer um restaurante Grego. - "Ah! Mas já fui ao Acrópolis, no Bom Retiro, umas três vezes. É realmente muito bom". - "Não. É o Café Olímpia, na Estilo Barroco, em frente ao Borba Gato, em Santo Amaro mesmo". Quase esquina com a Américo Brasiliense, na Chácara Santo Antônio, passo em frente todos os dias e nunca vi o tal do lugar. Total escondido pelas trepadeiras do largo muro. O nome do lugar, bem pequeno e pintado em letras azuis, foi impossível de localizar de dentro do carro. Mas depois de estacionar tranquilamente na própria rua, a porta se abriu e pude ver um lugar grande com fotos de praias paradisíacas e prêmios gastronômicos

decorando as paredes branquinhas junto com as bandeiras da Grécia e do Brasil, alinhadas pra receber o cliente. Um antepasto de beringela e outro de iogurte com pepinos e erva doce acompanharam charutinhos e almôndegas miúdas. Tudo muito gostoso.

Mussaka e carne de vitelo.

Ouzo, a bebida forte a base de anis, e um mussaka e carne de vitelo, com o toque perfeito da canela, completaram o banquete grego. Não demorou a música ao vivo começar. Muito alta. Não dava mais pra conversar. Então o restaurante inteiro, inteiro mesmo, se levantou pra dançar. Ver homens dançando sem medo de absolutamente nada é o charme mais encantador que se pode provar.

Mocinhos gregos dançando. E lindos.

Um astral delicioso que sempre vai até o meio da madrugada. Minhas energias acabaram antes, mas várias gerações de família inteiras se revezaram naquele ritual de dançar e arremessar pratos por sobre as cabeças nos pés dos dançarinos. Numa de minhas

Cerâmica pra quebradeira.

viagens, vi que há um certo preconceito pela Europa com essa felicidade gratuita dos gregos. Porque é felicidade mesmo. Festejam a vida e aproveitam o que ela tem de melhor: comer e dançar. Já tem um tempo que notei, mas ontem tive a certeza de que algum antepassado meu se enganou. Tenho sangue grego. E minha família toda veio de lá. Porque pra fazer barulho igual, só sendo grego mesmo.


Um pedacinho da festa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Linda...



E como viajei no mês de março. Duas semanas antes de ir a BH estive em Floripa. Sem praia ou trilha, só apreciei o congestionamento na Hercílio Luz da janela do hotel. Se é pra ficar presa em engarrafamento, que seja o de lá. Só a vista da baia já me valeu o fim de semana. Mas um dia eu volto. E pra ficar. Porque essa cidade é linda.

Quero ser pedra no Inhotim...

Galeria Adriana Varejão
Há umas duas semanas estive em BH. Matei algumas saudades. Não todas. Mas consegui conhecer o Inhotim, em Brumadinho. Um cantim sossegado de mundo, sô. Lá onde o vento faz a curva. Onde o mineirim toma cafezim docim. Pita um cigarrim de páia. Lá, já havia conhecido o restaurante Topo do Mundo (minha foto do perfil é de lá). E também já havia feito uma trilha pelas pirambieiras do Morro do Chapéu. Ambos com vistas incríveis. Então, já sabia que ia encontrar um trem de outro mundo. Especial. O que encontrei foi um Instituto Cultural digno de primeiro mundo no mundo das artes. Um museu de arte contemporânea bacanérrimo. Mas que tem bem a cara de Minas. Na década de 80, o empresário Bernardo Paz cansou de colecionar quadros e resolveu colecionar arte contemporânea. Com dicas do amigo Burle Marx, transformou sua propriedade rural num espaço de quebrar queixo. Um desbunde. No meio de um acervo botânico, com espécies de tudo que é parte do Brasil (e acho que do mundo), arquitetos e artistas plásticos montaram suas obras. De Hélio Oticica a Tunga e Cildo Meirelles. Criatividade não faltou. Seja a céu aberto, seja na arquitetura dos edifícios ou nas próprias obras. E como ficou muito legal, o empresário resolveu abrir as portas e apresentar o mais contemporâneo dos museus contemporâneos do país. O Inhotim. Os programas educativos também já fazem parte do cardápio. E claro, restaurantes super charmosos acolhem na pausa para uma fresca e deliciosa restauração de forças. Porque o trem é grande di com força. Minha amiga, disse que na próxima encarnação vai querer ser pato do Inhotim. Eu bem que já me contentava em ser pedra de lá. Todas, muito bem tratadas. Ok. Tenho sim, uma reclamação. A sinalização na BR381 inexiste. Só sabia que era lá porque sabia que onde era Brumadinho. E a placa indicando o município vai passar sem ser vista.

Pato do Inhotim. Ao fundo Galeria do Lago com uma obra do Tunga (com T). Tudo vermelho.

Eu. Treinando pra virar pedra do Ihnotim...

Pedras do Inhotim.

Pera ao soyu do Inhotim.

Troca-troca. Do Jarbas Lopes.

Acho que esse Oticica cairia bem com as pedras do meu jardim.

domingo, 29 de março de 2009

Très bonne...


Começou hoje o Ciné-Club, parte das comemorações da França no Brasil, no Reserva Cultural. Uma vez por mês, filmes com temáticas contemporâneas marcam cada ciclo. As sessões são sempre às 11h com um café da manhã (que esgota rápido demais pro meu gosto) incluso no preço servido a partir das 10h, na Pain de France. O 1º ciclo aborda os problemas atuais em educação na França. Como tudo sempre funcionou bem lá, eles estão ficando malucos com os problemas provenientes da imigração, diferenças culturais, problemas econômicos, violência e etc, etc... Nada que não seja novidade pra gente aqui. O Filme de hoje foi A Esquiva (L'esquive, França, 2003) do "impronunciável" Abdelattif Kechiche, diretor que anda causando furor por onde passa. Tunisiano que foi viver na França ainda menino, ele sabe muito bem do que está falando. E haja hormônios para sobrevivermos à adolescência... Dia 26 de abril será o Quando Tudo Começa (Ça Commence Aujourd'hui, França, Bertrand Tavernier, 1999) e dia 24 de maio, o documentário Ser e Ter (Être et Avoir, França, Nicholas Philibert, 2002). Ainda sobre educação, mas fora deste ciclo porque está em circuito normal, é o Entre os Muros da Escola (Entre les murs, França, Laurent Cantet, 2008), que minha profe de Français não cansa de dizer que é imperdível. Todos premiados (Cannes e Cesar) e bem cotados. Eu diria, delicados. Quem trabalha e se importa com educação, não pode perder.

Um pouco de história...



Che (Che: The Part One/Argentine, Espanha/ EUA/ França, 2008). Mostra os prós e contras da opção de tomarem o poder usando as armas. "Livres" em 1959. Nós aqui, só na década de 80. Lá, TODO mundo tem acesso à saúde e educação. E a sua história. Mas só. Aqui... Nós temos a pluralidade. Lá, contra vai para o paredão. Aqui, sumia sem explicação pelos porões. Aqui, acesso ao melhor que se pode consumir, quem tem dinheiro. Lá, o embargo. Que parece birra de menino que nunca vai abrir mão pra ceder e dar ao povo um pouco mais de conforto. Evoluir. A história também anda. Del Toro continua lindo e talentoso (vai ser assim lá em casa!!), levou melhor ator em Cannes mostrando pro mundo quem foi o Che. Não entendi quando a crítica disse que o filme só expõe o "bom moço". Nos discursos na ONU ele deixava claro que executavam, sim! Porque a luta era armada. Cenas de execuções não faltaram. Mas também a asma e uma generosidade que sempre aparece nas histórias românticas sobre ele. Essa parte é a que mais gosto porque sou uma pisciana incorrigível. Não creio que seja verdadeiramente verdadeira. Se for, ele era mesmo um fofo. Mas um fofo muito do bravo. Demián Bichir (!) e Rodrigo Santoro encarnam de forma impressionante Fidel e Raúl. O filme é baseado em dois livros de Ernesto, Reminiscences of the Cuban Revolutionary War e O Diário do Che na Bolívia. E eu cá em minha ingenuidade tolinha, fico só pensando como faltam líderes inteligentes e generosos (e nutritos, vá...) hoje em dia. Quem tem se levantado pela América Latina, em meu tempo, parece mais parte do filme dos três patetas do que qualquer outra coisa. Não sei quando estréia a segunda parte aqui no Brasil. Mas vai acabar na minha videoteca junto com o mais romântico, e lindo, Diários de Motocicleta (Water Salles, 2004).

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ah! Que bom...

Melhorias na Fernão Dias completas neste início de semana:
- 7 pedágios em 700km. Todos funcionando muito bem, obrigada. O resto? Na mesma.

quarta-feira, 18 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Boa idéia...

Hoje meu horóscopo dizia pra tomar cuidado com a miopia dos piscianos em acreditar no mundo perfeito. Mas olha só, não tô defendendo a invasão de privacidade, mas o tal delegado bem que podia lançar o BPB (Big Política Brasil). Grampeava tudo que é telefone de tudo que é cargo público. Podia até aproveitar os que ele já esquematizou. Punha câmera em tudo que é sala de prédio público. De vereador a presidente. Tudo avisado pra não ter reclamação. Não são públicos? Então, melhor que isso pra coagir roubalheira não ia ter. Capaz. A TV Câmara e a Senado passam 24h de baboseira porque nem a cara de pau de melhorar o nível os figuras têm. Melhor eu me acostumar com esse mundo cão assim mesmo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Cotovelos inchados...

Tá gordo. Fora de forma. Lesionado. Baladeiro demais. Velho. Travequeiro. Em fim de carreira. Mas Pierres, Gilmares, Maurícios, Brunos e sei lá mais quem, jovens e bem condicionados na liderança do campeonato paulista, comeram poeira nos dribles do velhaco gorducho. Dá-lhe Negão.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Esse é o nosso mundo...


Eu na cidade mais linda do país. Ronaldo estreando no meu timão. Governador sendo cassado. E uma besta excomungando criancinha. Idade média em pleno século XXI. Isso não era coisa de comunista? Quem foi que deu autoridade, que pediu pra igreja se manifestar? Nosso Estado não é laico? Me desculpem os crentes, mas desse deus ninguém precisa aqui. Deviam colocar esse arcebispo machista e sem noção na mesma cela do estuprador. Putz! Melhor não. Vai que ele, como muitos padres acobertados pela santa madre igreja, também seja um abusador de meninos indefesos. Me perdoem o termo, mas que esse arcebispo vá se foder e não se meta mais em tentativas de pessoas que realmente se importam.